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Escritos de Santa Bartolomea

  • OFERTA A JESUS CRUCIFICADO
  • CARTA À LUCIA CISMONDI - No tempo do Advento
  • CARTA À MARIANNA VÉRTOVA
  • À MARIANNA VÉRTOVA
  • CARTA DE BARTOLOMEA À SUA MÃE
  • MISERÁVEL OFERTA
  • VOTO DE CARIDADE
  • Exercícios Espirituais de 1826
OFERTA A JESUS CRUCIFICADO
Senhor, eu não quero ser santa se vós não quiserdes. 
Não desejo o paraíso, se não for a vossa vontade. 
Não desejo outra coisa senão amar-vos muito, amar-vos sempre, amar-vos profundamente; provar o meu amor com o sofrimento, viver crucificada convosco. 
Senhor, não procurarei a mim mesma no meu pensar, falar e agir, mas somente, somente vós e a vossa glória.
Meu Jesus, não posso concluir a minha oferta sem prometer-vos aquilo que tanto pedis ao meu coração: a caridade para com o meu próximo, que eu desejo praticar muitíssimo.
Sobretudo os pobres, os doentes, as jovens, serão objeto das minhas preocupações. Sacrificarei por eles o desejo daquela paz silenciosa, as minhas ocupações costumeiras e qualquer outra coisa.
Senhor, afastai de mim o meu comodismo, ajudai-me a colocar a serviço dos irmãos os talentos que recebi de vós.
Fazei que eu vos agrade.
Eu desejo amar-vos e agradar-vos; suplico-vos que afasteis de meu coração qualquer outro desejo. Senhor, segui-me em todos os meus passos, do contrário vos trairei.

Oração feita e escrita por Bartolomea na sexta-feira Santa em 01/04/1831. Scr III, p. 724 -728.

CARTA À LUCIA CISMONDI - No tempo do Advento
Convite a pedir uma graça e a amar Jesus.



QUE O SANTO AMOR DE JESUS MENINO INFLAME TODO O
CORAÇÃO DA MINHA QUERIDA IRMÃ.

 

Lôvere, 24 de Dzbro de 1827.



Envio-vos a folha das práticas para o próximo mês. A ambas, como ouvireis, é concedido o mérito da obediência em tudo. Tenho também ordem de vos dizer, em nome de nosso comum Superior, o Rev. Bosio, que deveis realmente “fazer a difícil” com Jesus Menino por causa do vosso pároco. Que não vos canseis de suplicá-lo até que Ele vos tenha concedido; antes, peço-vos que dobreis as orações, as súplicas, e que as façais dobrar também às vossas companheiras, até que o tenhais alcançado, e de dizer diretamente a Jesus que quereis esta graça. — Ide, pois, com confiança a Jesus Menino, que desta vez certamente vos consolará; dizei-Lhe que tendes ordem de não vos afastardes d’Ele enquanto não vos tiver atendido. Às vossas orações unirei também as minhas, que são fracas; e nestes poucos momentos em que se aproxima a vinda do Redentor, irei adorá-Lo na Santíssima Gruta, e que com vocês me uno neste Lugar Santo, suplicarei ardentemente por tal graça.

O Menino Jesus vos fale por mim. Não vos digo outra coisa senão que “Jesus nos ama a ponto de fazer-Se Menino por nós, e continuamente nos clama: Amai-me, amai-me”. Amemo-Lo, portanto, de todo o coração, amemo-Lo sempre, e que o amor seja o nosso último suspiro. — Deixo-vos com a pena para ir à Gruta encontrar-vos em espírito. Sou

 

Vossa af.ma e ob.mª Irmã em Jesus Cristo.

BARTOLOMEA, Indigna Serva De Jesus.

 

P.S.: Se julgardes adequado dar o mês também a Pierina Giacomelli, fico contentíssima; caso contrário, fazei como vos parecer melhor, pois estou satisfeita de qualquer modo

[1] Scr I, p. 228-229.

[2] Carta à Lucia Cismondi.
CARTA À MARIANNA VÉRTOVA
Propõe exercícios devotos para santificar o Carnaval.

À MAIOR GLÓRIA DE DEUS.

Minha caríssima irmã em J. C. 

De vez em quando, mesmo nos nossos tempos, ainda acontecem milagres. Desta vez quero fazer um eu também, sendo diligente — ou melhor, diligentíssima — em responder à sua caríssima carta; e quero que, desta vez, Marianna não acuse sua Bartolamea de negligente e preguiçosa, já que ela não merece. Estou contentíssima que tenha aceitado o que lhe propus em minha última carta. Agora você busca algo para fazer neste Carnaval. Louvo o seu fervor e quero satisfazê-lo, embora você tivesse feito muito bem se, em vez disso, tivesse me escrito o que eu deveria fazer, e tivesse dito o mesmo às outras duas também; mas basta, desta vez a sua humildade venceu; em outra ocasião, talvez vença a soberba alheia. 

Procuraremos, por meio da oração, obter de Deus o perdão e a emenda de tantos pecados; para isso, rezaremos todas as manhãs:3 Pai-Nossos, Ave-Marias e Glórias e 3 Salve Rainhas com os braços abertos e um Miserere e 7 Ave-Marias todas as noites, com as mãos sob os joelhos. Faremos uma Comunhão cada uma por semana pela salvação dos pecadores; Lúcia cuidará de fazê-la no sábado, Giulia na sexta-feira, Marianna na terça-feira e Bortolamea na quinta-feira. Estes dias foram sorteados; se por acaso alguma de vocês não puder fazê-la no dia designado, faça em outro dia, desde que, para tal fim, faça uma por semana. Também jejuaremos um dia cada uma, toda semana: Lucia na quinta-feira, Giulia no sábado, Marianna na terça-feira e Bortolamea na segunda-feira. Faremos para tal fim a disciplina duas vezes cada uma por semana, nos dias que preferirem. 

Privar-nos-emos de qualquer curiosidade, mesmo que lícita, para reparar as tantas que se cometem neste tempo. Não comeremos frutas nem qualquer outra guloseima para reparar as tantas intemperanças que os pobres pecadores cometem nesta época. Ao toque das três Ave-Marias, ou seja, de manhã, ao meio-dia e à noite, nos retiraremos em espírito aos pés de Jesus Crucificado e ali, todas as quatro unidas, rezaremos ao nosso dulcíssimo Esposo pelos pobres pecadores. Finalmente, como neste tempo Jesus é abandonado por quase todos, nós procuraremos manter-Lhe companhia continuamente; por isso, estaremos sempre recolhidíssimas e evitaremos qualquer conversa supérflua. Isto é o que lhe sei dizer. Se você ou as outras duas me escreverem algo mais, aceitarei sumamente e procurarei também executar. Comunique tudo também às queridas Romelli, cumprimente-as muito por mim e diga-lhes que espero quase com impaciência uma resposta delas. 

Tenho outra coisa que quero que façamos juntas, e espero que nos ajude muito. Antes porém de comunicá-la a alguém, quero receber a carta das Romelli. 

Desta vez não posso atender ao seu desejo em relação ao que lhe disse: o Senhor não quer. Enquanto isso, reze; eu a satisfarei em outra ocasião, mortifique-se. Envio-lhe o Crucifixo bento para o artigo da morte e o terço, rezando o qual todos os dias se adquire, uma vez por mês, Indulgência Plenária, confessando-se e comungando em dia a ser escolhido por arbítrio próprio; e assim se adquirem muitíssimas indulgências parciais por cada oração.

Já que deseja saber o valor do Corporal e da Paleta (Animetta), o total custa 17. Reservo-me para outra ocasião dar os meus parabéns pela nova companhia de M. V. A.   Estou em nosso Senhor Jesus Cristo. 

Lôvere, 9 de janeiro de 1826. 

Sua afetuosíssima irmã, 

BORTOLAMEA CAPITÂNIO. 
À MARIANNA VÉRTOVA
Conselhos sobre a vocação religiosa, sobre a caridade para com o próximo e sobre a humildade.

LOUVOR  À AUGUSTÍSSIMA TRINDADE



Minha querida irmã, 

Querida, foi maravilhoso receber a sua carta e lamentei muito não ter podido respondê-las antes. As suas cartas sempre me causam alegria, porém não as exijo jamais; pelo contrário, você me dá sempre um presente cada vez que me escreve e não tem motivo de achar-se culpada quando não o faz, pois eu também falho muito com você. 
Estou lhe enviando o livro do amor de Jesus que você me pediu; não me lembro quanto lhe devo, mas se você concorda, podemos ajustar as contas com esse livro. Mando-lhe também 3 livrinhos, “O ocupado que medita”, mandar-lhe-ei também outros quando as vendedoras os entregarem a mim; estes, custam 5 liras. 
Não sei o que lhe dizer quanto ao conselho que me pede com referência à sua vocação. Sou apaixonadíssima pela vida retirada e religiosa, mas por outro lado, também gosto muito de dedicar-me às obras de caridade, tanto espirituais como temporais e, estas obras, não podem ser praticadas num mosteiro, a não ser a de rogar ao Senhor pelos pecadores. Se eu estivesse na sua situação, não saberia o que decidir. A necessidade de sua terra é muito grande, especialmente a juventude precisa muito da sua assistência; mesmo que não faça nada, sem a sua presença ficaria privada de um apoio muito necessário e, talvez acabaria em nada também o trabalho realizado até aqui para o seu proveito espiritual. Por outro lado, sentiria muito deixar aquele bendito retiro, aquela querida solidão que o meu coração tanto deseja para unir-se a Deus; seria muito duro deixá-la; dessa forma, eu não saberia o que lhe dizer. Recomende-se a Deus de todo coração, pois ele certamente lhe revelará a sua vontade; não dê muita importância àquilo que lhe parece útil, mas àquilo que visa ao bem do próximo e, esteja certa que, não seria uma graça menor se o Senhor lhe fizesse viver uma vida de monja no século, fazendo-lhe passar o resto de seus dias no mundo como se estivesse num mosteiro ou retiro. 
Não se canse de elevar fervorosas orações ao Senhor com esta finalidade, porém, com grande tranqüilidade de coração; porque, às vezes, o demônio põe na mente mil pensamentos, desejos, inquietações, faz achar melhor outro estado e, enquanto isso, tira o impulso para agir no estado presente e, assim, os desejos jamais se realizam e se negligenciam os próprios deveres. 
Querida Marianna, procure agir com todo empenho nas suas circunstâncias atuais; trabalhe muito, como se este fosse o seu estado contínuo: esta será a maneira de fazer com que o Senhor lhe faça conhecer claramente a sua vontade, mesmo se a chamar para outro estado. Aquela bendita caridade para com o próximo, que Jesus Cristo tanto exercitou durante todo o curso de sua vida, muito me agrada e, praticando-a, experimenta-se tanta satisfação que nenhuma religiosa jamais experimentou; confesso-lhe que, se não fosse do agrado de Deus fundar aqui em Lovere o projetado e desejado instituto, no qual se pensa unir a vida contemplativa com todos os atos de caridade que se podem prestar ao próximo, eu certamente teria dificuldade de entrar num mosteiro, pois sentiria muito deixar estas ocasiões de ajudar o próximo. Eis aqui exposto o meu parecer; sobre esse assunto, gostaria que você me desse sempre informações das aspirações que tiver para o futuro. Por caridade, peça a Deus por mim: a necessidade é extrema. Sinto que o Senhor quer uma coisa de mim, mas eu estou resistindo e, com isso, sempre lhe vou negando-a. Preciso de algum impulso especial que amoleça o meu coração e, assim, faça finalmente aquilo que Deus quer de mim. Vamos em frente, querida Marianna, tenha compaixão da minha pobre alma, reze e ofereça alguma mortificação e penitência por mim. Se eu tiver um pouco de amor a Deus poderei ajudar as pessoas. Coloco toda esperança nas suas orações para que se confirme a minha intenção. 
As suas amigas, como também os meus pais, enviam mil saudações para você e os de sua casa. Lembranças para as queridas Romelli, diga-lhes que desejo muitíssimo receber suas cartas. 
Querida irmã, desejo que o seu coração seja todo de Jesus, um coração que não ame, não procure, não deseje, não suspire, não repouse senão por Jesus; desejo que você se torne não só santa, mas grande e logo santa; para isso faço votos de um sólido fundamento de humildade. Não me desagradaria se você fosse maltratada, ofendida, esquecida, caluniada e, finalmente, perseguida; estes seriam os mais belos sinais de que você é muito querida por Deus; mas se você ainda não está experimentando isso, o Senhor o dará a você no futuro; enquanto isso, procure aprofundar-se na convicção da sua miséria, tenha um baixíssimo conceito de você mesma, considerando-se a última de todos, merecedora de todo desprezo. Este é o primeiro degrau da santidade, sem o qual, todo o resto não vale nada. Falo a você sobre isso com muita abertura, porque assim repreendo a minha soberba que vai crescendo sempre, por isso temo ser uma verdadeira hipócrita e Deus sabe o que me espera no outro mundo. Já vejo o inferno aberto para mim e parece-me ouvir as assustadoras palavras de Deus dirigidas a mim: “Não te conheço; recebeste o que merecias dos homens, vai-te que não te conheço”. Por caridade, Marianna, reze por mim, do contrário agora estamos unidas e na eternidade estaremos desunidas: você com Deus e eu com o demônio, você no paraíso e eu no inferno. Termino porque não tenho mais tempo e porque o meu coração se agita com tais reflexões. 
Adeus, caríssima, lembre-se desta sua pobre amiga e irmã: 

Bartolomea Capitanio

CARTA DE BARTOLOMEA À SUA MÃE
À SUA MÃE 

Afasta-se de sua Mãe e a consola

VIVA JESUS E A SUA CRUZ SANTÍSSIMA



Minha querida e muito amada Genitora

Por ato de dever e contra a minha vontade, eis-me há um passo que custa muitíssimo ao meu coração e que será, também, um prego doloroso para o vosso. 
Os superiores estabeleceram que segunda-feira começará a escola no lugar fixado e que, quarta-feira eu deva estabelecer-me nesse local com minhas companheiras, para dar início àquele Instituto, pelo qual estas tanto operam, esperando ver frutos vantajosos e úteis desta sociedade. Mesmo sabendo que esta notícia reabrirá no vosso coração uma ferida dolorosa pelo amor que me professastes e que, ao vos dizer antecipadamente, não faço outra coisa que acelerar-vos o sofrimento; porém, por ato de respeito e pela obediência que vos devo, antes de dizê-lo a outra pessoa, participo-o à vós, pedindo-vos para acompanhar-me com vossa Sta. Bênção. É inútil dizer-vos o quanto me custa o sacrifício de uma Mãe a quem eu tanto devo, na verdade depois de Deus, toda eu mesma. Pesa-me tanto no coração a vossa aflição, e é tão sério para mim que, se Deus não me ajudasse, eu não poderia suportar; e vos asseguro que, se não soubesse ser minha Vocação verdadeira Vontade de Deus, não daria este passo nem por todo o ouro do mundo. Deus, porém, é o Senhor de tudo! Ofereçamos-lhe, querida mãe, o sacrifício: vós, de uma filha que sempre amastes muito; e eu, de uma Mãe a quem professo amor, respeito e veneração singular. Ele apreciará o nosso sacrifício e, um dia, irá nos recompensar. 
Com todo o coração e com lágrimas nos olhos, peço-vos humildes desculpas de tantos inconvenientes que causei ao vosso coração, de tantos aborrecimentos que vos dei, de tantas desobediências que vos fiz. Perdoai-me tudo e conservai-me sempre em vossa boa graça. De todo coração agradeço-vos as tantas atenções que sempre tivestes comigo, de todo o infinito que fizestes por mim. Sinto no coração a mais viva gratidão e gostaria de vos demonstrá-la às custas de muito sangue, se me fosse possível derramá-lo por vós. Lembrai-vos, porém, que não deixo de ser vossa e garanto-vos que me fareis um favor singular cada vez que me vencerdes, em tudo o que eu puder agradar-vos.
Lembro, para consolar-vos, que a nossa separação será dolorosíssima, mas o nosso encontro no Paraíso será muito mais consoladora e bendiremos aquele sacrifício que grande prêmio nos mereceu de Deus. 
Quanto à Santina, se vos é querida, e se quiserdes sofrer o incômodo, poderíeis ficar com ela em casa e depois deixá-la vir para a escola; se, porém, for um peso para vós, então nós a teremos no Local  inteiramente; e vós, façais precisamente aquilo que vos agradar. 
Ser-me-ia necessária uma cama para quarta-feira à noite; peço-vos, portanto, para dar-me uma, aquela que vós quiserdes. As mesas da escola e os dois bancos, se isso vos agrada, vou mandar levá-los ao Local. 
Jesus e Maria sejam o vosso conforto, a minha querida Irmã vos será de consolação. Imploro de novo a vossa bênção e as vossas orações; e dando-vos mil beijos amorosos tenho a honra de subscrever-me

Ag, agora, 16 de 9bro (1832)


Vossa afeiçoadíssima, obedientíssima e humílima filha
                                                                                                                    Bartolomea
MISERÁVEL OFERTA
MISERÁVEL OFERTA 
QUE APRESENTO A JESUS PELAS MÃOS DE MARIA

Eis-me ó Jesus, chegado finalmente o momento desejado do meu sacrifício. Hoje, pelas mãos de Maria, tenho a ventura de me consagrar inteira e irrevogavelmente à vossa glória e ao serviço do meu próximo. Nesta circunstância, meu único apoio sois vós. Eu sei que sou indigna, incapaz de tudo, mas se vós quiserdes, podereis fazer que eu faça até prodígios. Não sei o que irei faze; prometo-vos apenas que farei de boa mente tudo quanto me será ordenado por quem vos representa. Senhor, de todo coração vos sacrifico o sossego e o recolhimento para me dedicar inteiramente ao bem do próximo. Sacrifico-vos as minhas devoções, a oração e até as minhas santas comunhões para fazer, em seu lugar, aquilo que vós quereis. 

Nada mais tenho de meu. Sou toda vossa e do modo que vos agrada; recebo de vossas mãos tudo quanto quereis fazer-me sofrer neste novo gênero de vida e me proponho desde agora, de não querer senão a vós, a vossa vontade e o bem do próximo. 

Faço-vos o dom de minha mãe; sabeis quanto eu a amo e quanto me custa deixá-la. Aceitai a minha oferta e sede de ajuda e conforto para ela. 

Dou-vos minha irmã; tende dela especial cuidado e dai-lhe o dom precioso da vocação religiosa. 
Recomendo-vos todos os meus parentes, entrego-vos todas as minhas amigas, rogo-vos pelos meus benfeitores; ajudai e salvai a todos. 

Coloco em vossas mãos o pouco que possuo, para que tudo seja usado em benéfico dos pobres. Eu sempre fui pobre e de agora em diante serei voluntariamente paupérrima. 

Rogo-vos que me assistais com vossa santa graça; de dar-me as virtudes necessárias, de conserva-me sempre a alegria do coração, a confiança em vós, a união convosco e s santa coragem em todas as obras que dizem respeito à vossa glória. Ó Jesus, recomendo-vos a nossa casa. Eu espero favores e grandes auxílios de vós e quando for necessário, não temerei pedir-vos até milagres certa de que os fareis. Suplico-vos de não me deixar sem a vossa companhia, embora por pouco tempo; fazei com que seja construída a capela. 

Peço-vos uma outra companheira, mas que seja de fato segundo o vosso coração. Mandai-a logo porque precisamos com urgência. 

Finalmente vos afirmo que tudo vos sacrifico, que nada mais quero, que farei e sofrerei tudo quanto quiserdes. Em tudo a vós me uno, agirei, pensarei, falarei e sofrerei convosco. 

Maria Santíssima, uni a minha miserável oferta à vossa preciosíssima oferta e tornai-a agradável ao vosso Jesus com a vossa proteção e a vossa ajuda. 

Caro São Luís, acompanhai-me em cada passo, avisai-me quando erro, protegei o nosso instituto, intercedei continuamente por mim e pelas minhas companheiras. 

Anjos da Guarda, todos os Santos do céu, rogai por mim.
VOTO DE CARIDADE

“Louvor e glória à augustíssima
Trindade, homenagem e honra a Maria Santíssima. Amém.



 



            Meu
bom Jesus, sei que o vosso amor jamais se separa do verdadeiro amor ao próximo.



 



            Por
isso eu, Bartolomea de Jesus, desejando agradar-vos em tudo e assecundar os
impulsos interiores que me concedeis, à presença da Santíssima Trindade, de
Maria Santíssima, do meu Anjo da Guarda, de São Luís, dos meus Santos advogados
e de toda a corte celeste, faço voto sub leve de usar para com o meu próximo toda
a caridade, tanto corporal como espiritual em tudo o que me for possível faze.



 



            Assim
que, de agora em diante, tudo o que Deus me concedeu não considero mais meu,
mas tudo foi-me dado para que seja empregado em benefício do meu próximo. A
vida, a saúde, os talentos, os pensamentos, as palavras, as ações, os bens e
tudo quanto eu tiver o reverterei em benefício e conforto dos meus queridos
irmãos.



 



            Pelos
pecadores empregarei toda sorte de prática, orações, mortificações,
penitências, e todas as vezes que me apresentar diante de vós crucificado,
jamais esquecerei deles, pelo contrário, importunar-vos-ei tanto, meu querido
Jesus e rezarei tanto pela conversão deles, de modo que não podereis negar-me
esta graça. Para impedir o pecado, prometo-vos que farei tudo; e vós aliviai a
minha fraqueza.



 



            Amarei
vivamente  a juventude e todo o meu amado
oratório. Terei sobretudo no coração aqueles jovens que são mais desorientados
e que estão mais distantes de vós. Irei atrás delas, procurarei todos os meios
para converter-lhes o coração, para atraí-las a vós. Se as minhas atenções não
levarem vantagem, não me cansarei, pelo contrário, aumentarei o cuidado;
persegui-las-ei santamente e não cessarei até que não sejam todas vossas.



 



            Pelos
ignorantes não pouparei fadiga. O pouco que aprendi com caridade e paciência o
ensinarei; irei eu mesma procurar todas aquelas pessoas que precisarem ser
instruídas e usarei para com elas as atenções mais caritativas.



 



            Pelas
almas do purgatório terei sentimentos de piedosa caridade; cada dia procurarei
sufragá-las com alguma oração e dedicarei todas as segundas-feiras inteiramente
pelo seu alívio.



 



            Os
pobres doentes e os enfermos serão verdadeiramente a alegria do meu coração.
Visitá-los-ei o mais que puder; serei para com eles criativa com palavras e
ações, prestando-lhes os serviços mais humildes e repugnantes, socorrendo-os o
mais que puder, assistindo-os incansavelmente.



 



            Socorrerei
o mais que puder os pobres. Procurarei conhecer aqueles que são verdadeiramente
necessitados e a estes farei sentir mais amplamente a minha caridade.
Privar-me-ei de todo o supérfluo, tanto no comer, quanto no vestir e me
reduzirei ao puro necessário, para deste modo socorrer mais os pobres; e se por
amor a eles eu devesse sofrer fome me seria muito agradável e o faria de boa
vontade, prometo-vos. Onde eu não puder chegar, conhecendo uma verdadeira
necessidade, não me envergonharei de pedir auxílio e procurarei socorrê-los de
qualquer maneira.



 



            Meu
querido Jesus, eu vos prometo tudo isto; ou melhor ajudada pela vossa graça,
faço-vos voto, mas vós, por caridade, ajudai a minha fraqueza. Eu sou um
instrumento ínfimo, indigno, incapaz de tudo; se quiserdes alguma coisa de mim,
é necessário que o façais vós mesmo, do contrário estragarei as vossas obras
mais belas. Peço-vos que triunfeis em mim com a vossa potência; fazei-me ver
que o instrumento mais vil nas vossas mãos onipotentes pode fazer coisas
grandes. De fato eu desconfio de mim mesma e confio em vós totalmente. Esta
doce confiança me anima, me dá coragem e me faz esperar obter tudo de vós. Sim,
meu Deus, desconfiarei sempre de mim mesma, mas confiarei em vós. Nas obras
mais difíceis, pesadas, desanimadoras, confiarei na vossa bondade e assim
poderei chegar a bom termo. Apoiada nesta doce confiança terei a coragem de
enfrentar os perigos segura de que guiareis esta vossa serva e não permitireis
que me perca.



 



            Ajudai-me,
ó bom Jesus, porque eu quero empenhar-me muito pelas vossas criaturas, e quero
fazer tudo isso por vosso amor.



 



            Enquanto
eu pensar no bem dos outros, sabei ó meu querido esposo, que o cuidado de mim
mesma confio totalmente a vós. Pensai nas minhas necessidades e socorrei-me;
ficai sempre perto de mim, arrancai os vícios do meu coração e plantai nele as
virtudes; fazei-me santa, pois em vós eu me abandono toda; não me creio mais
minha, mas toda vossa.



 



            Maria
Santíssima, a vós me recomendo do coração; ensinai-me a amar o próximo, dai-me
os meios para socorre-los, porque verdadeiramente eu quero fazê-lo.



 



            Querido
São Luís, que tanto fizestes pelos vossos irmãos, dai-me o vosso coração
caritativo, para que eu também possa ser vossa fiel imitadora.



 



            Todos
os Santos do céus, pedi a Jesus por mim.



 



            ‘Tudo
posso naquele que me dá força’



 



            Viva
a onipotência de Jesus!”
Exercícios Espirituais de 1826
A 3ª Medit. Foi sobre as três classes de pessoas. 

          Desde um bom tempo eu me percebi entre as segundas, aquelas que querem seguir J.C., mas somente por onde querem, quando e como querem e não em tudo aquilo que sabem que o Senhor quer delas. Esta é minha mísera condição, mas eu não sei de qual patetice eu sofro, que com todos os meus desejos e também algum esforço, não avanço nunca um passo na abnegação de mim mesma. Estas meditações têm por objetivo principal a eleição do estado, o estabelecimento neste. Depois de uma boa hora que eu miseravelmente considero os vários estados de Religião, afirmo sinceramente, como se fosse diante de Deus, que o Senhor me chama a um Instituto, cujo objetivo seja As obras de Misericórdia e que este será aquele que, na hora da morte, sentir-me-ei feliz de tê-lo abraçado. Submeto cada sentimento meu àquele do meu Diretor, a quem sinto que devo obedecer sem ter um pensamento contrário; digo somente que a isto me sinto inclinada, parecendo-me, do fundo do coração, que estes sejam os lugares a mim destinados por Deus. Mas, entre os muitos institutos nisto semelhantes, deixo o cuidado da escolha ao meu Diretor; e, como ele me impôs não pensar em súbitas decisões, mas em deixar o cuidado a Deus, assim penso em fazer e, rogo-lhe sempre que mostre ao mesmo a sua Sma. Vontade, mais que a mim, que não sou capaz de conhecê-la; porém, sinto-me indiferente para abraçar aquilo que o Senhor quiser (que espero me expressará o meu Pai Espiritual). Eu que acreditava não ter outro desejo maior que este, ouvi meu Pai espiritual dizer-me que, não tenho suficientemente… que me faltam todas as disposições para ser monja… Ai! É verdade que tem justos motivos para duvidar da minha inconstância, mas bom Deus que me inspirais o desejo, negar-me-eis pois, a ajuda para cumpri-lo? não o temo. Ah! o Coração do meu J. não sofrerá ao ver esta alma gemer longe de sua casa. Sim, meu Menino , se não deixareis sair isto das vossas belas mãozinhas, ver-me-eis usar certas violências para convosco. Eu tenho este escrúpulo que quanto mais o tempo passa, eu proceda sempre por minha negligência, uma vez que me torno continuamente infiel ao chamado de Deus e, há perigo que Ele me tire pouco a pouco a vocação e me deixe… Justo castigo para as almas infiéis! Uma vez que o mundo não é lugar de Santos, quem deseja tornar-se perfeito o abandona… Quem procura Deus dele foge… quem ama J. o odeia e quem em J. quer viver no mundo, morre… Que eu, pois, queira permanecer nele? Deus me livre disso!

Fiz o exame sobre o que me reprovou a última vez o meu diretor a respeito do apego às coisas sensíveis etc. É, contudo verdade que, sobre todos aqueles pontos encontro defeitos particulares. E, primeiro entre os parentes, tenho particular apego ao meu Pai,  preferindo-o à minha Mãe e é por caráter e não por amor a Deus… Sou apegada ao mundo e às vaidades e se vê porque, talvez, encontrando-me em companhia dos outros, envergonho-me se não tenho aquela aparência e aquelas coisas que, por assim dizer, distinguem uma pessoa propriamente honrada das vulgares etc. E quando sou vista sem o necessário, alimento-me da vã idéia que, pelo menos me tenham em conceito de devota e que o faço por desprezo ao mundo. Compraz-me, à vezes, ser ouvida a desprezar o mundo, com quanto que isso me aprove e que o meu sentimento seja por todos abraçado como proveniente de bom sujeito etc. etc. Sou apegada às comodidades e a mim mesma. Quantas vezes contristo-me comigo mesma em conceder-me ou negar-me alguma comodidade e, pois, cedo à natureza . Quantas vezes para contentar a mim mesma, deixo o exercício da mortificação a despeito de contínuas inspirações do Senhor… Se se trata, pois, de abnegação, oh! que dificuldade, se de sacrificar a minha estima, ai! não me dá ânimo. 

Hoje falei um pouco inutilmente, distraindo-me do recolhimento. Não mortifiquei a gula ao jantar, cometi uma impaciência e uma curiosidade.