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Os traços do Coração do Redentor

Santa Bartolomea sonhou com um Instituto no qual os traços do Coração de Jesus Redentor fossem impressos no ser e no agir - moldando o próprio caráter - de cada irmã. A caridade, a ternura e a humildade identificam as verdadeiras seguidoras do Redentor (cf. Papéis de Fundação nº 11)

Santa Bartolomea, quando escreveu suas inspirações, afirmou que Jesus Redentor, em seu amor pelo mundo, resume todas as “regras” ou normas do seu Instituto. Somente ele é “norma e guia”. Jesus foi fiel à vontade do Pai, andou pelos caminhos da Palestina curando, libertando, ensinando e formou um grupo de discípulos e discípulas aos quais deixou a missão de continuar o seu projeto.

Assim também, para as irmãs, a oração é momento privilegiado de “permanecer com Ele” para conhecer o que “o seu coração pensa, ama e faz” e desta forma, adquirir a sua “ardente caridade” que encoraja a dar a própria vida pelo bem do próximo.

Bartolomea também nos deixou seu exemplo: um amor apaixonado por Jesus e a experiência do seu amor na própria vida é que nos move até aos que necessitam com os traços do seu coração, em especial a caridade, a ternura e a humildade.

O Evangelho e a Eucaristia são a Luz que ilumina nossos dias nos encorajando para agir como Jesus fez e disse.

CORAÇÃO é uma palavra que não deriva de outra. Coração é símbolo: evoca e reúne uma multiplicidade de sentidos e de significados. 

Bartolomea contempla o amor

A contemplação do amor de Jesus leva Bartolomea à contemplação do amor de Deus, por vezes explicitamente considerado como amor trinitário. Ela faz experiência do amor eterno: “...desde toda a eternidade, quando o mundo ainda não existia Deus me amou. Ama-me agora com um amor infinito...Por seu amor preparou-me uma felicidade eterna...Ele vê que não correspondo, que o abandono... apesar disso não se cansa de me amar”

Bartolomea, quando pensa em Jesus tem presente o mistério do Natal e a sua vida pública, o vê na Paixão, na Cruz, na Eucaristia. Bartolomea deixou alguma dimensão da vida de Jesus despercebida? Não. Bartolomea não acrescenta um Mistério novo. O coração do Redentor é amor-caridade; o coração que ama se encarnou no seio de Maria... Em suas meditações sobre a Eucaristia, o Crucificado, o amor trinitário ela reconhece os traços do coração de Jesus Redentor.

Ao meditar as últimas palavras de Jesus na Cruz ela diz: “Causou-me grande impressão a suma caridade do meu Deus... Só o coração de Deus pode alimentar tamanha caridade (...) o Sangue de Jesus, as suas chagas gritam continuamente MISERICÓRDIA. Que confiança me dá o meu Jesus, que por seus méritos me dará o perdão dos meus pecados”

Bartolomea contempla na Cruz, o amor ardente de um Deus que se entrega. Calvário é o lugar do amor. É ato de redenção por excelência: Onde o amor quer a salvação porque quer a vontade do Pai

Nos dias intensos de oração (exercícios espirituais), no ano de 1832 escreve quatro páginas sobre a RETIDÃO, AMABILIDADE, HUMILDADE E CARIDADE DO “CORAÇÃO” DE CRISTO.

- RETIDÃO por ter vivido totalmente voltado para a glória do Pai ;
- AMABILIDADe: por sua bondade, perdão, amor para com todos, pelo que fez por nós, pelo seu carinho que acolhe a quem a ele recorre;
- HUMILDADE: ela contempla a Kénosis, o rebaixamento de um Deus que se faz homem e se oculta durante 30 anos e permanece oculto na Eucaristia.

- CARIDADE: Bartolomea lia todo o mistério de Cristo em termos de CARIDADE. Retidão, humildade e amabilidade não são alternativas à meditação fundamental que é sempre a CARIDADE DE JESUS. Ela fala de JESUS como CORAÇÃO, como AMOR-CARIDADE fundamental. Por isso é que ele vive “para a glória do Pai”; está cheio de “carinho” e é “humilde”. Caso contrário não seria “coração” de Jesus.

Diante da caridade do Coração de Jesus Bartolomea é convidada a reagir no sentido do abandono:

- “...depois deixei meu espírito repousar no S. Coração de Jesus e usufrui por algum tempo sua divina presença”

- “compreendi quanto eu seria agradável ao meu Jesus se em minha atuação não tivesse outro fim que não a sua glória...”

“Nesta meditação conseiderei a contínua caridade que usou para comigo em toda a minha vida, e conheço que é verdadeiramente digna dele. Procurei repousar com quietude naquele Coração todo ele inflamado de caridade para com as criaturas. Fez-me compreender que a prova mais agradável que lhe possa dar do meu amor é a de lançar-me totalmente entre seus braços, viver segura e tranquila em suas mãos, não duvidar de nada, que ele me ajudará continuamente; e com o desejo de ser toda sua terminei esta santa Meditação”

Enfim, Bartolomea faz experiência do amor infinito de Deus, em Jesus Redentor. Jesus é manifestação do amor trinitário que a ama desde a eternidade, antes de seu nascimento. A vida toda de Jesus foi dom total de si, desde a encarnação, sua vida pública, sua paixão, morte e ressurreição, a entrega do seu espírito e o seu permanecer na nossa vida através dos sacramentos e nos mais necessitados conforme Mateus 25. Assim como São Paulo, ela também não encontrou palavras suficientes para expressar tudo o que experienciou sobre o amor de Deus, sobre o amor do Redentor. Em Bartolomea não existe devocionismo, mas fé e resposta ao amor.