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A intuição carismática de Santa Bartolomea Capitânio

"Senhor, quero somente aquilo que vós quereis" (Santa Bartolomea)

Santa Bartolomea Capitanio fez um caminho de discernimento vocacional no qual concomitantemente foi percebendo a sua intuição carismática: o sonho que Deus plantou e cultivou no seu coração de fundar uma congregação com um carisma específico para corresponder às necessidades da realidade do seu tempo histórico.
Para adentrarmos na intuição carismática de Bartolomea, primeiro vamos ver o que significam as palavras:  intuição e carismática.

Intuição: Forma de conhecimento que não precisa de raciocínio; conhecimento não totalmente claro e bem definido, mas imediato; atitude natural de colher o significado das coisas

Carismática: que diz respeito ao carisma, está relacionada a ele. No sentido cristão CARISMA é dom que vem do alto, graça infundida pelo Espírito Santo no coração daquele que crê; uma experiência de vida cristão particular em favor e para utilidade de todo o corpo místico de Cristo.

A intuição carismática está sujeita ao discernimento, é provada, se desenvolve no tempo. É a história que lhe dá razão e sentido de existir.

A intuição carismática, ou seja, o CARISMA apresenta traços específicos do Dom suscitado pelo Espírito Santo no coração de Bartolomea: (v.Cs 2). Para fazer este percurso, Bartolomea vive a sua prática espiritual, a sua experiência específica: 

Primeiro recorre ao amor de Deus como Pai que ama todas as suas criaturas com amor gratuito, pessoal, livre, eterno, infinito, providencial, atual, protetor, criativo, divino.

Reconhece a si mesma como criatura pecadora atingida por este amor excessivo, paciente, incompreensível, através de Jesus Salvador e Redentor.

Se reconhece pobre, mas amada, pré-eleita, partícipe do seu amor, sustentada, feita por Ele esposa feliz e serva operosa.

À origem da sua experiência espiritual específica está a atração que Jesus, com seu modo de viver, exerce sobre ela, em particular Bartolomea era fascinada caridade do Redentor: “aquela bendita caridade que Jesus Cristo tanto exercitou em todo o curso da sua vida terrena, muito me agrada”. Interpreta de modo sintético a vida de Jesus, Filho obediente do Pai, como caridade que se doa para a salvação de toda a humanidade. Contempla-a no sinal do Coração, da Cruz, da Eucaristia. Deixa-se envolver em toda a sua individualidade de criatura com uma família e uma história e relações, na igreja na situação sócio-cultural do seu tempo, marcado pela pobreza e pelas necessidades, em favor e quem têm necessidade.

Fazendo este caminho de espiritualidade encarnada na realidade, ela intui o Carisma da Caridade e entende que Deus a quer como fundadora de uma congregação religiosa, cujo objetivo é a Caridade Redentiva. Decide então fazer a entrega total   de si ao Senhor numa obra caracterizada: 

Pela "imitação" do estilo de vida de Jesus, segundo os traços do seu coração: caridade; humildade; mansidão e retidão de intenção.

Em Castidade perpétua (Voto de Castidade) tendo Ele como único Senhor e única riqueza (Voto de Pobreza e Obediência),

Dedicação plena ao próximo- COMO Ele- servindo a todos e privilegiando os mais necessitados “ Até dar o sangue por eles” (Voto de Caridade)

Bartolomea fez um caminho de santidade cotidiano, sintetizado na orientação: “para a glória de Deus e bem do próximo na total confiança à sua vontade (Voto de Maior Perfeição), caminho rigoroso e método, oração, vida sacramental, mortificação e penitência, direção espiritual, perseverança, vigilância sobre o próprio “eu” - desconfiança de si mesma e  confiança em Deus.

Bartolomea foi uma mulher profundamente espiritual que viveu a vida na presença de Jesus. Ao Instituto ao qual dá origem, propõe o Promemória (Papeis de Fundação), onde em linhas simples, profundas e claras, descreve  um projeto “ todo fundado sobre as normas e sobre os exemplos deixados por Nosso Senhor Jesus Cristo e identifica os seus membros como filhas e seguidoras do Redentor. 

Deixa para o Instituto a sua experiência de vida, vivida na “caridade operosa”, repleta de contemplação e de oblação, à humanidade no início de mil e oitocentos, que ela procurava e amava na sua situação histórica, respondendo às suas exigências de educação, de instrução, de assistência, orientadas sempre ao seu fim último de comunhão com Deus.

No projeto de fundação o ser humano é também, mas não exclusivamente, o órfão abandonado durante a carestia e as epidemias do início do mil e oitocentos, o jovem desorientado nos ideais e desviado na vida, pelas ideologias pós-revolucionárias, o pobre privado de assistência pela diminuição das instituições benéficas assumidas pelo Estado na época napoleônica. O "homem" do “Promemória é o ser humano na sua perene condição de sujeito a ser “desenvolvido”, a ser educado, a ser instruído em qualquer atividade, a ser curado da doença, a ser recuperado na sua dignidade, a ser “re-conduzido ao bem”, em qualquer que seja a sua condição histórica.

O Instituto é fundado para colaborar na obra de redenção, no tempo e exatamente na cidade de Bartolomea, justamente porque é intuído como prolongamento do ato redentor de Cristo e  permanece aberto e capaz de re-expressar-se em qualquer contexto histórico hoje e até nos “fins dos tempos”.