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Maria, um modelo para a vida política (II)

Ao entoar o Magnificat, Maria não realizou apenas um ato de louvor pessoal, mas proclamou um programa político e social radical. Neste segundo artigo sobre Maria como modelo para a vida política, Ir. Etel Maria P. da Costa analisa o cântico da Mãe de Jesus como um anúncio de esperança para os humildes e uma denúncia contundente dos sistemas corrompidos. Segundo a autora, Maria nos apresenta um Deus que age na história para inverter as lógicas de poder, exaltando os pobres e famintos. Inspirados por este exemplo, somos provocados a construir um sistema político pautado na justiça, onde os governantes se tornem "profetas do bem" e a paz seja uma realidade concreta para todos.

Reflexões

20.07.2026 - 17:10:00 | 4 minutos de leitura

Maria, um modelo para a vida política (II)

Maria, um modelo para a vida política (II)
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          
            O evangelista Lucas relata em seu evangelho que Maria, Mãe de Jesus, ao encontrar-se com Isabel, recitou um cântico, o Magnificat (cf. Lc 46-55). A palavra Magnificat significa engrandecer ou exaltar a resposta-compromisso de Deus para com os humildes, os pobres. É um cântico pleno da presença do Espírito Santo que anuncia a esperança na expectativa da salvação de Deus que será realizada em Jesus, aquela que virá realizar a promessa da vitória do Bem e da Luz para toda a humanidade. É um cântico contagiante de alegria e é carregado da herança dos cânticos de louvor judaico-cristão.
            Lucas faz uma construção literária, colocando nos lábios de Maria, expressões que revelam o seu reconhecimento da vinda de Deus na pessoa de Jesus Cristo. É um Deus que assume a gestação do pobre, realiza a transformação da História e põe os humildes e esquecidos como sujeitos dessa nova história. Neste cântico Maria assume uma identificação com o povo de Israel, o povo eleito em marcha para a salvação. É um cântico que anuncia uma esperança em novos tempos, provoca um sistema corrompido e reincorpora os profetas como voz de um povo ansioso por condições sociais e políticas melhores.
            Maria, a humilde serva, louva a Deus por sua ação salvadora e como membro de uma nova história, proclama a vinda do Reino de Deus mediante sua ação transformadora nas relações sociais. Ela canta as maravilhas de Deus em favor dos humilhados e famintos, aqueles que até hoje esperam que tudo de ruim acabe: que sessem as guerras, os conflitos; que venham governos melhores e justos; que se evitem as traições e corrupções por interesses políticos; que haja paz e harmonia nas famílias e em todos os setores da vida. Maria, tornando-se a mãe do Messias, compromete-se diretamente com a salvação do povo. Por isso ela canta anunciando que Deus FAZ maravilhas e age em favor dos que mais precisam e sacia os famintos. Ela canta denunciando a inversão dos poderes estabelecidos, e afirma que a justiça de Deus vai prevalecer: nascerá uma nova humanidade. Diante de um povo que sofre tanto, vê e experimenta na pele tanta injustiça: morte de cruz, exploração e tantas dores, o cântico de Maria proclama que a vinda d’Aquele que está em seu ventre, traz o começo de uma nova história, de uma nova criação, de um novo planeta, de uma nova ordem social, onde não haverá mais assaltos, nem roubos, nem prisões, nem morte violenta, nem pobreza, nem fome.
A exemplo de Maria, um bom sistema político será construído nesta perspectiva. E os políticos serão profetas do bem e neles se pode confiar.
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Atenciosamente,
Ir. Etel Maria Costa
etelmariacosta@gmail.com