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NOSSA SENHORA NO PERCURSO DO CALVÁRIO

Maria, a Discípula fiel: de Caná ao Calvário

Reflexões

17.03.2026 - 14:06:00 | 3 minutos de leitura

NOSSA SENHORA NO PERCURSO DO CALVÁRIO

NOSSA SENHORA NO PERCURSO DO CALVÁRIO

Ir. Etel Mª Costa

 É muito forte no Brasil, na Semana Santa a expressão na piedade popular, a lembrança de

Nossa Senhora acompanhando Jesus no percurso do Calvário. Em muitas comunidades, na terça santa costuma-se fazer a procissão do encontro, entre Jesus, que carrega a cruz (o Senhor dos Passos), e a sua mãe Maria. Na sexta feira da paixão celebra-se a “procissão do Senhor Morto” com a Via-Sacra. São levadas em destaque, as imagens de Jesus morto e de Nossa Senhora das Dores. Esta devoção, de fato, tem fundamento bíblico.

Perto da cruz de Jesus permaneciam de pé a sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena. Vendo assim sua mãe e, perto dela, o discípulo que ele amava, Jesus disse à sua mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. A seguir ao discípulo: “Eis aí a tua mãe”. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa (Jo 19,25-27).
É normal passar pela cabeça dos devotos a pergunta: como Maria enfrentou o sofrimento do seu filho? O que significou para ela e para as outras pessoas da comunidade de sua época, todo o sofrimento e rejeição que Jesus passou, sobretudo no percurso do Calvário? Para a maioria dos devotos, a lembrança da mãe de Jesus, como a mãe sofredora vai até a sexta-feira Santa.

Pela dimensão humana imaginamos que particularmente para Maria foi muitíssimo duro e sofrido e para a comunidade foi até incompreensível, pois assim testemunham os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). Pelo significado da compreensão teológica e eclesial, seguindo sempre o Evangelho de João, a mãe de Jesus é apontada em dois importantes momentos de sua vida pública. No começo, nas bodas de Caná (Jo 2,1-12) e no fim, aos pés da cruz (Jo 19,25-27). Ambas são horas de necessidade. A primeira hora é antecipação simbólica da última hora, a crucifixão, pois em Caná, Jesus inicia a manifestar os milagres como sinais de seu poder, de glória, como revelador do Pai. Para a teologia de João, é na cruz que será a conclusão, o trono da glória de Jesus. A mãe de Jesus, portanto, é mencionada e acompanha o seu filho do começo a fim de sua missão, sem nenhuma fuga. Pelo contrário, do começo ao fim da vida Jesus e também no caminho do Calvário, ela dá testemunho de Discípula fiel e forte sem hesitar e sem titubear. Por isso que João a coloca no início (Caná) e no fim (Calvário) da vida pública de Jesus.

Aos pés da cruz, no momento decisivo da missão messiânica de Jesus, na crucificação, Maria compartilha do sofrimento de Jesus, que dirige a ela uma palavra especial – “Mulher, eis aí o teu filho” – ao discípulo que ele amava – “Eis a tua mãe”. A narrativa de João remete a uma simbologia eclesial. Chamar Maria de Mulher (na Bíblia, “mulher” simboliza “povo”, “comunidade”) e entregá-la como mãe do discípulo que ele amava, significa torná-la a mãe espiritual dos discípulos. Maria se torna, assim, a mãe da Igreja. Como o discípulo acolheu Maria, permanece na Igreja, o sentido da acolhida de Maria como Mãe. Acolher é uma forma de fé. A verdadeira casa da Mãe de Jesus passa então a ser o coração de cada discípulo amado.